O AFHI11 divulgou seu mais recente relatório gerencial com dados que mostram movimentações relevantes na carteira, alterações na composição dos ativos e impacto pontual na geração de resultado. O fundo encerrou janeiro de 2026 com números que refletem tanto o cenário macroeconômico quanto decisões estratégicas da gestão.
Resultado por cota e uso de reserva acumulada
Em janeiro de 2026, o fundo registrou um resultado de R$ 0,91 por cota, enquanto a distribuição anunciada totalizou R$ 0,97 por cota. A diferença foi complementada com a utilização parcial da reserva acumulada, estratégia que permitiu manter um patamar de pagamento superior ao lucro do mês.
No regime de caixa, o fundo apurou lucro de R$ 4.364.154,09. Somado ao saldo acumulado e não distribuído de R$ 1.418.973,39, o resultado total disponível para distribuição alcançou R$ 5.783.127,48, equivalente a R$ 1,20 por cota.
Após a distribuição de R$ 0,97 por cota, o saldo acumulado e não distribuído passou a R$ 0,24 por cota, enquanto o montante referente à correção monetária não distribuída dos CRIs somava R$ 0,14 por cota ao final do período.
Considerando o preço de fechamento da cota em 13/02/2026, de R$ 97,04, o dividend yield mensal foi de 1,00%, equivalente a 12,68% anualizado. Nos últimos doze meses, a distribuição acumulada atingiu R$ 12,10 por cota, representando yield de 12,47% no período.
Impactos do IPCA e dias úteis
O desempenho mensal foi influenciado por dois fatores principais. O primeiro foi a defasagem de dois meses na aplicação do IPCA, que incorporou o índice de 0,18% referente a novembro de 2025, reduzindo temporariamente a receita de correção monetária.
O segundo fator foi o menor número de dias úteis no período, que impactou proporcionalmente o carrego da carteira entre as datas de aniversário dos papéis.
Esses elementos ajudaram a explicar a diferença entre o resultado mensal e o patamar de distribuição.
Movimentações elevam exposição ao IPCA
Durante o mês, a gestão realizou três aquisições de CRIs high grade no mercado secundário, totalizando aproximadamente R$ 22,16 milhões, reforçando a estratégia de priorizar ativos indexados ao IPCA com spreads mais elevados.
Entre as operações realizadas estão:
- Rede D’Or – aumento de posição no CRI já presente na carteira, elevando a taxa média para IPCA + 9,01% ao ano.
- Mercado Livre – por meio do CRI XP Log, lastreado em ativos logísticos e recebíveis imobiliários ligados à companhia.
- Direcional Engenharia – operação lastreada na venda de 721 unidades imobiliárias, com garantias estruturadas.
Com essas aquisições, a exposição do fundo a ativos indexados ao IPCA subiu para 70,22% do portfólio, reforçando o posicionamento voltado à proteção inflacionária.
Estrutura das novas operações
O CRI XP Log, adquirido por aproximadamente R$ 10 milhões, está vinculado a uma operação de R$ 505 milhões, com lastro em contratos de ativos logísticos localizados em Guarulhos e São Bernardo do Campo. A estrutura conta com alienação fiduciária de imóveis que somam 359.383 m² de ABL, além de cessão fiduciária de contratos e fundo de reserva.
Já o CRI Direcional, adquirido por cerca de R$ 12 milhões, é lastreado em créditos de SPEs ligados à Direcional Engenharia, com garantias imobiliárias e fundo de reserva específico.
Essas operações foram realizadas sem alteração no perfil de risco informado pela gestão.
Pré-pagamento gera retorno elevado
Outro evento relevante foi o pré-pagamento total do CRI Tenda Pós-Chaves, que proporcionou ao fundo uma TIR anualizada de 17,99%. O movimento resultou em incremento de caixa de aproximadamente R$ 1,7 milhão, fortalecendo a liquidez para novas alocações.
Valorização da cota patrimonial
A cota patrimonial do AFHI11 apresentou valorização de R$ 0,52, passando de R$ 94,56 em dezembro para R$ 95,08 em janeiro. O movimento decorreu da marcação a mercado da carteira de CRIs, baseada no spread sobre a NTN-B correspondente à duration de cada papel.
Esse ajuste contábil contribuiu para a evolução do valor patrimonial, refletindo as condições de mercado para títulos indexados à inflação.
Base de cotistas e adimplência
O fundo encerrou janeiro com 37.891 cotistas, mantendo uma base pulverizada de investidores. Segundo o relatório, todas as operações da carteira permanecem adimplentes, sem registros de atraso ou inadimplência.
A gestão informou ainda que segue atuando tanto no mercado primário quanto no secundário, priorizando:
- Operações indexadas ao IPCA com spreads elevados
- Estruturas com garantias robustas
- Ativos atrelados ao CDI com duration reduzido
Além disso, uma nova operação indexada ao CDI está em fase inicial de estruturação, com previsão de liquidação nos próximos meses.
O que o relatório sinaliza
O relatório de janeiro mostra um fundo que segue ativo na alocação de capital, ampliando exposição a ativos indexados ao IPCA e realizando ajustes estratégicos na carteira. Ao mesmo tempo, evidencia o impacto pontual da inflação mais baixa e do calendário operacional na geração de resultado mensal.
Com reserva acumulada ainda presente e carteira totalmente adimplente, o AFHI11 entra nos próximos meses com nova composição de ativos e maior peso em operações estruturadas no mercado secundário.


