O fundo imobiliário HFOF11 (Hedge Top FOF) iniciou o ano de 2026 trazendo atualizações importantes para sua base de quase 100 mil cotistas. Em seu relatório gerencial mais recente, referente ao mês de janeiro, a gestão detalhou não apenas os resultados financeiros, mas também o planejamento estratégico para manter a constância nos pagamentos aos investidores ao longo dos próximos meses.
A notícia mais aguardada pelos investidores foi a definição de um novo patamar para os dividendos do HFOF11. O fundo anunciou a distribuição de R$ 0,060 por cota, valor que a gestão pretende estabilizar daqui para frente. Essa estratégia visa dar maior previsibilidade ao cotista, alinhando o rendimento ao lucro operacional recorrente do portfólio.
O novo patamar dos dividendos do HFOF11
A decisão de fixar os dividendos em R$ 0,060 por cota não foi por acaso. No mês de janeiro, o fundo gerou um resultado operacional (FFO) de R$ 0,065 por cota. Ao distribuir um valor ligeiramente abaixo do gerado, o fundo consegue ser sustentável e, ao mesmo tempo, alimentar sua reserva de lucros.
Atualmente, o saldo de resultados acumulados e ainda não distribuídos do HFOF11 atingiu R$ 0,077 por cota. Essa “gordura” financeira é fundamental para momentos de maior volatilidade no mercado, garantindo que o fundo consiga manter o pagamento prometido mesmo se houver oscilações pontuais nos ativos da carteira. A gestão destacou que esse patamar atual é orgânico, refletindo a capacidade real de geração de caixa do fundo.
Programa de recompra de cotas e geração de valor
Um dos pontos de maior destaque no relatório foi o progresso do programa de recompra de cotas. Com validade até agosto de 2026, o fundo tem autorização para adquirir até 5% das suas cotas em circulação, desde que negociadas abaixo do valor patrimonial.
Em janeiro, o HFOF11 investiu R$ 2,2 milhões para recomprar e cancelar 343.872 cotas. O movimento é extremamente inteligente do ponto de vista financeiro: as cotas foram adquiridas com um desconto médio de 18,2% em relação ao valor patrimonial.
Por que o cancelamento de cotas é positivo?
Quando o fundo compra suas próprias cotas com desconto e as cancela, ele gera um benefício direto para os cotistas remanescentes. Isso acontece porque o patrimônio total do fundo passa a ser dividido por um número menor de cotas, o que eleva automaticamente o valor patrimonial de cada cota que sobrou no mercado. Desde o início do programa, já foram investidos R$ 28,7 milhões nessa estratégia, gerando um ganho patrimonial significativo para quem mantém o ativo na carteira.
Gestão ativa e movimentações na carteira em janeiro
O HFOF11 é conhecido por ser um “fundo de fundos” (FOF) com gestão bastante ativa. Em janeiro, as movimentações totalizaram R$ 46,3 milhões. Foram R$ 22,8 milhões destinados a novas compras e R$ 23,5 milhões em vendas.
Entre os principais movimentos, a gestão realizou o desinvestimento de um fundo do setor corporativo que apresentou uma valorização expressiva nos últimos meses, aproveitando para realizar lucro. Além disso, houve um giro em posições de fundos de CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários), buscando arbitragem e melhores taxas de retorno. Nos últimos 12 meses, o fundo girou quase 20% do seu patrimônio líquido, demonstrando agilidade para capturar oportunidades de mercado e potencializar os dividendos.
Histórico de rentabilidade superior ao CDI
Mesmo enfrentando cenários desafiadores nos últimos anos, como a pandemia e a alta das taxas de juros, o HFOF11 apresentou dados históricos robustos. Em seus 7 anos de existência, o fundo já distribuiu um total de R$ 6,21 por cota em rendimentos.
O relatório trouxe uma comparação interessante: se um investidor tivesse reinvestido todos os dividendos recebidos no CDI líquido, a renda atualizada seria de R$ 9,07 por cota. Em comparação, um investimento direto no CDI no mesmo período teria produzido R$ 8,09 por cota. Isso prova que, no longo prazo, a estratégia de seleção de ativos do fundo tem superado a renda fixa tradicional, mantendo um rendimento competitivo e focado na geração de valor.
Ao final de janeiro, o valor patrimonial do HFOF11 fechou em R$ 7,96 por cota, enquanto o preço de mercado estava em R$ 7,00. Esse desconto de quase 12% mostra que o fundo ainda negocia com margem em relação ao valor real de seus ativos, o que justifica a continuidade do programa de recompra pela gestão.


