O Fundo Imobiliário Riza Akin, negociado na bolsa sob o ticker RZAK11, divulgou recentemente o seu relatório gerencial referente ao mês de janeiro. O documento trouxe informações cruciais para os mais de 45 mil cotistas que acompanham o ativo, destacando a estratégia da gestão para manter a estabilidade na distribuição de proventos, mesmo em um mês com desafios pontuais no fluxo de caixa.
Para os investidores que buscam renda passiva recorrente, a notícia principal é a confirmação do pagamento de R$ 1,10 por cota, realizado no 15º dia útil de janeiro (referente a dezembro). No entanto, o relatório detalha que o resultado operacional puro do mês foi inferior a esse valor, exigindo o uso de reservas acumuladas para complementar a distribuição e evitar oscilações bruscas no bolso do cotista.
O que impactou o resultado de janeiro
De acordo com o relatório oficial, o fundo registrou um resultado de R$ 0,68 por cota em janeiro. A gestão explicou que esse número foi impactado principalmente por dois fatores operacionais. O primeiro foi a decisão de postergar o reconhecimento de ganhos de capital em outros Fundos Imobiliários (FIIs) que o RZAK11 possui em carteira.
O segundo fator foi um atraso no processo de liquidação do CRI Allegra (Pacaembu). Embora a liquidação integral dessa posição tenha ocorrido, o fluxo financeiro completo, que prevê o pagamento de um prêmio adicional ao longo do ano, não foi contabilizado integralmente dentro do mês de apuração, afetando momentaneamente o resultado contábil imediato.
Esses movimentos são comuns em fundos de papel (recebíveis) que gerenciam carteiras complexas e buscam o melhor momento para realizar lucros, visando a saúde do fundo a longo prazo.
Uso de reservas financeiras e linearidade
Uma das grandes vantagens dos fundos imobiliários bem geridos é a capacidade de acumular reservas de lucros em meses bons para utilizá-las em meses mais fracos. Foi exatamente essa ferramenta que a gestão do Riza Akin utilizou.
Para honrar o compromisso de entregar um rendimento atrativo e linear, o fundo acessou suas reservas de resultado para cobrir a diferença entre os R$ 0,68 gerados e os R$ 1,10 distribuídos. Essa estratégia demonstra o compromisso do fundo em reduzir a volatilidade dos rendimentos mensais, oferecendo uma previsibilidade maior para quem depende dessa renda.
É importante que o investidor entenda que o uso de reservas é saudável quando feito de forma estratégica, servindo como um “colchão” para amortecer variações naturais do mercado de crédito imobiliário.
Novo guidance de rendimentos
Olhando para o futuro, a gestão do RZAK11 atualizou o seu guidance (previsão) de distribuição de rendimentos. Para os próximos três meses, a estimativa é que os dividendos fiquem em um intervalo entre R$ 1,00 e R$ 1,10 por cota.
Esse ajuste alinha as expectativas do mercado com a realidade atual da carteira e do cenário macroeconômico. Manter o piso da previsão em R$ 1,00 demonstra confiança na capacidade de geração de caixa dos ativos, enquanto o teto de R$ 1,10 sinaliza o potencial de manter o patamar atual caso as estratégias de alocação e giro de carteira performem conforme o esperado.
Detalhes da carteira e patrimônio
O relatório também trouxe uma fotografia atualizada da saúde financeira do fundo. O patrimônio líquido encerrou o período em R$ 776,8 milhões, o que resulta em um valor de cota patrimonial de R$ 88,19.
Outro dado relevante é a alocação bruta do portfólio, que corresponde a 106,99% do patrimônio líquido. Isso indica que o fundo está operando de forma alavancada, uma característica comum em fundos High Yield (alto risco e alto retorno) como o RZAK11, utilizada para potencializar os retornos aos cotistas.
A base de investidores continua crescendo, atingindo a marca de 45.181 cotistas, o que reforça a liquidez do ativo no mercado secundário, facilitando a compra e venda das cotas na B3.
Desempenho dos ativos e proteção
Sobre a performance dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) que compõem a carteira, a gestão informou que, com exceção dos CRIs ligados à Starbucks (um caso amplamente conhecido no mercado devido à recuperação judicial da operadora no Brasil), os demais ativos tiveram contribuições e pagamentos condizentes com o esperado.
O relatório destacou ainda a estrutura de hedge (proteção) do fundo. Houve um impacto positivo com a abertura da curva de juros futura. No entanto, esse ganho foi parcialmente compensado pela desvalorização dos ativos indexados ao IPCA+ e pré-fixados na marcação a mercado.
Essa dinâmica de “perde de um lado, ganha do outro” é típica de carteiras diversificadas que utilizam instrumentos de proteção para mitigar riscos extremos, garantindo que o patrimônio do fundo atravesse diferentes ciclos econômicos com maior segurança.
Para o investidor do RZAK11, o resumo do mês é de continuidade. Apesar do resultado operacional pontualmente menor, a gestão ativa utilizou os mecanismos corretos para proteger a renda do cotista, mantendo a transparência sobre os desafios e as expectativas para o próximo trimestre.


