O fundo imobiliário VINO11, focado em lajes corporativas e gerido pela Vinci, divulgou seu relatório gerencial com atualizações relevantes sobre o portfólio. O documento destacou movimentações importantes envolvendo a saída da locatária Vitacon, que resultaram em aumento da vacância e revisão nas estimativas de rendimentos do fundo.
Em janeiro de 2026, o VINO11 registrou resultado de R$ 0,042 por cota e anunciou distribuição de R$ 0,045 por cota aos investidores. O pagamento corresponde a um dividend yield anualizado próximo de 9,9%. Ao final do período, o fundo manteve uma reserva acumulada não distribuída de R$ 0,004 por cota.
Desocupações impactam receita recorrente do fundo
O principal evento do período foi a finalização da desocupação de conjuntos anteriormente ocupados pela Vitacon no imóvel Haddock Lobo 347, localizado na região da Avenida Paulista. O encerramento do contrato atípico ocorreu ainda em outubro de 2025, mas a saída efetiva das áreas aconteceu em janeiro.
O contrato representava cerca de R$ 0,013 por cota em receita mensal, equivalente a aproximadamente 14% da receita imobiliária do fundo. Com a devolução dos espaços, esse valor deixou de compor o resultado recorrente do VINO11.
Após a desocupação, a taxa de ocupação do imóvel Haddock Lobo 347 passou para cerca de 18%, representando aproximadamente 1.268 metros quadrados locados.
Além disso, a Vitacon também realizou a devolução antecipada de uma loja no ativo Oscar Freire, cujo contrato original se estenderia até novembro de 2029. Embora o impacto financeiro dessa saída seja menor, estimado em cerca de R$ 0,001 por cota, o movimento contribuiu para o aumento da vacância consolidada do fundo.
Vacância do portfólio sobe e reduz previsibilidade de receitas
Com as devoluções registradas, a taxa de ocupação consolidada do VINO11 passou para aproximadamente 81%, elevando a vacância física para cerca de 19%. Esse cenário levou a gestão a revisar suas estimativas de rendimentos recorrentes.
Segundo o relatório, a expectativa atual é que os dividendos mensais recorrentes fiquem entre R$ 0,038 e R$ 0,045 por cota ao longo do primeiro semestre de 2026, considerando o nível atual de ocupação e os reajustes previstos nos contratos vigentes.
Apesar da revisão, o fundo ainda distribuiu no período valor ligeiramente acima do resultado gerado, utilizando parte da reserva acumulada.
Estratégia busca recompor ocupação dos imóveis
Diante do aumento da vacância, a gestão informou que mantém um processo estruturado de comercialização das áreas disponíveis, com apoio da consultoria Matchpoint. O foco está na captação de empresas interessadas em lajes corporativas na região da Paulista, que continua apresentando liquidez relativa dentro do mercado imobiliário corporativo.
De acordo com o relatório, foram realizadas mais de 40 visitas comerciais ao imóvel Haddock Lobo 347. No momento, existem 16 demandas em análise e sete propostas recebidas, sendo quatro delas em estágio avançado de negociação, já com troca de minutas contratuais.
A gestão também adotou uma abordagem comercial mais flexível, incluindo a possibilidade de entrega dos espaços no modelo turn-key, em que os ambientes são preparados conforme as necessidades do futuro locatário. Como parte dessa estratégia, foi desenvolvido um andar modelo concluído em janeiro de 2026, que já se encontra em negociação para locação.
Potencial de recuperação do resultado depende de novas locações
Segundo as estimativas apresentadas, caso as negociações em andamento sejam concretizadas nos níveis de aluguel atualmente solicitados, o fundo poderia registrar um incremento entre R$ 0,007 e R$ 0,010 por cota no resultado recorrente mensal.
Nesse cenário hipotético, o rendimento recorrente poderia retornar ao intervalo entre R$ 0,046 e R$ 0,048 por cota, patamar semelhante ao observado antes das desocupações recentes. O relatório ressalta, no entanto, que essa projeção não considera eventuais novas vacâncias, vendas de ativos ou eventos não recorrentes.
Além disso, a ocupação das demais áreas vagas do portfólio poderia gerar impacto positivo adicional estimado em aproximadamente R$ 0,01 por cota, o que poderia elevar o resultado total do fundo caso o processo de comercialização avance.
Resultado extraordinário pode influenciar distribuição futura
Outro ponto destacado no relatório foi a existência de valores não recorrentes a receber relacionados à venda parcial do ativo BM336. O fundo ainda possui aproximadamente R$ 0,19 por cota a receber, com pagamento previsto para abril de 2026.
Esse recebimento extraordinário poderá impactar a distribuição de rendimentos no período, embora não faça parte do resultado operacional recorrente do fundo.
Indicadores operacionais e base de investidores
O relatório também trouxe atualizações sobre indicadores estruturais do VINO11. A base de cotistas do fundo encerrou o período com aproximadamente 134.415 investidores.
Já o prazo médio ponderado dos contratos de locação (WAULT) atingiu cerca de 7,5 anos, indicando a presença de contratos com duração mais longa no portfólio, fator geralmente associado à maior previsibilidade de receitas no segmento corporativo.
Monitoramento do mercado e próximos passos
O desempenho do VINO11 ao longo dos próximos meses tende a estar diretamente ligado à capacidade de recompor a ocupação das áreas vagas e à evolução das negociações comerciais em andamento. Movimentações envolvendo locatários relevantes podem influenciar significativamente os resultados recorrentes do fundo, cenário que costuma ser acompanhado com atenção pelo mercado.


