Decidir se um investimento como o SNAG11 vale a pena exige uma análise cuidadosa de seus fundamentos, desempenho e cenário macroeconômico. O SNAG11, um dos primeiros FIAGROs híbridos da indústria, foi concebido para financiar um dos principais motores da economia brasileira: o agronegócio. Este artigo se propõe a analisar o fundo sob os pilares de Segurança, Dividendos e Preço Atual de Mercado, interpretando os dados e números do relatório gerencial de julho de 2025 para ajudar o investidor a formar sua própria conclusão sobre se SNAG11 vale a pena.
Entendendo o SNAG11: Tese de investimentos e estrutura
O que é o SNAG11?
O SNAG11 se posiciona como um FIAGRO híbrido, com o objetivo de alinhar retorno e segurança ao cotista através de estruturas e produtos que apoiam o agronegócio brasileiro. O fundo busca consolidar-se como uma das opções mais resilientes do setor, apresentando uma performance histórica acima de seu principal benchmark, o IPCA + 7%. Para o investidor, oferece a oportunidade de alocar parte de seu patrimônio em uma carteira diversificada e ativamente gerida, buscando rendimentos mensais previsíveis e pouco voláteis, e com um dos menores custos da indústria. Em julho, o fundo alcançou um novo recorde, superando a marca de 114.500 investidores.
Ciclo de investimentos
O processo de investimento do SNAG11 foca na maximização de retorno ao cotista e envolve diversas etapas: originação ativa de pipeline, análise de crédito, aprovação pelo Comitê de Investimentos, due diligence, negociação/estruturação e, finalmente, o investimento e monitoramento do ativo. Este processo visa garantir o funding para investimentos e o acesso de players do agronegócio a fatores fundamentais para o aumento da produtividade e crescimento setorial.
Segurança: O pilar fundamental para avaliar se o SNAG11 vale a pena
A segurança de um fundo é um critério essencial para determinar se o SNAG11 vale a pena. Diversos aspectos contribuem para essa avaliação, desde a saúde da carteira até a exposição a riscos externos.
Saúde da carteira e adimplência
Em julho, a carteira do SNAG11 manteve-se saudável, com todos os ativos adimplentes e sem indicar riscos relevantes no curto prazo. Um dado notável é a inadimplência de 0,00% para a carteira geral, e especificamente para o CRA Boa Safra. Este é um indicador robusto da qualidade dos ativos e da gestão de crédito do fundo. O Patrimônio Líquido do fundo é de R$ 626,70 milhões, com 264 devedores na carteira.
Diversificação da carteira
A diversificação é crucial para a segurança de qualquer fundo. A carteira do SNAG11 demonstra uma estrutura bem distribuída:
Alocação por tipo de ativo (% PL)
Tipo de Ativo | % PL |
---|---|
CRAs | 86,2% |
Imóveis | 8,1% |
FIAGROs | 1,7% |
Caixa | 1,96% |
A exposição por indexador é predominantemente em CDI (92,3%), seguido por IPCA (8,1%). Quanto ao rating, a maior parte está em A2 (71,1%), com A3 (16,2%) e A1 (8,5%) compondo o restante, indicando uma boa qualidade de crédito dos ativos. Os principais setores de exposição incluem Revendas e Produtores (63,1%), Café (10,9%) e Laticínios (9,1%). A cadeia produtiva de Soja representa 64,2%, Café 10,9% e Laticínios 9,1%. A concentração por devedor é gerenciada, com uma média de 0,34% por devedor, e os maiores devedores (Leitíssimo SA, Boa Safra Sementes SA, Agropecuária Ruiz Ltda) representam 9,0%, 8,4% e 8,1% do PL, respectivamente.
Avaliação de risco de crédito (AgroScore Serasa Experian)
A Suno Asset utiliza os Scores da Serasa Experian (Agro Score PF e PJ) para estimar o risco de inadimplência dos produtores rurais e empresas da cadeia do agronegócio. Esta metodologia especializada no setor rural oferece uma descrição mais precisa dos riscos de crédito dos recebíveis securitizados do SNAG11. A probabilidade média de inadimplência por devedor (% do PL) demonstra uma gestão ativa para mitigar esses riscos.
Cenário macroeconômico e impactos nas atuações do SNAG11
Julho de 2025 foi marcado por incertezas globais e domésticas. As recentes taxações impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras geraram volatilidade nos mercados, com tarifas de 50% sobre a maioria dos produtos e 10% para setores estratégicos que receberam exceções.
A carta do gestor trouxe uma análise detalhada dos impactos sobre os setores nos quais o fundo investe:
- Soja e milho: A taxação dos EUA não teve impacto direto relevante, já que a China é o principal comprador da soja brasileira. O risco verdadeiro para este complexo está na possível reconfiguração do comércio global caso a China aumente as compras de grãos americanos, o que poderia deslocar parte da demanda pela soja brasileira.
- Leite e derivados: O impacto das novas tarifas é praticamente nulo, pois o Brasil é deficitário na produção e precisa importar para atender à demanda interna.
- Café: Este é o setor mais impactado, com os EUA sendo o principal destino do café brasileiro. O aumento de preços pode reduzir o consumo e pressionar as margens dos produtores. No entanto, a decisão não visa proteger a produção doméstica irrelevante dos EUA, mas sim impor um custo político e econômico ao Brasil. Há forte pressão de indústrias norte-americanas para reverter essas taxações, e o secretário de Comércio dos EUA já sinalizou a possibilidade de o café ser incluído em futuras rodadas de isenção.
- Setores não expostos pelo fundo: Madeira, carnes, pescados e frutas estão entre os segmentos mais atingidos, mas o SNAG11 não possui exposição direta a essas cadeias.
Essa análise demonstra que, apesar das tensões comerciais, a exposição do SNAG11 permanece resiliente e protegida dos setores mais vulneráveis. O impacto macroeconômico global, com a política monetária do Fed mantendo as taxas de juros elevadas e o Copom brasileiro também sustentando a Selic em 15,0% a.a. em julho, adiciona um pano de fundo de cautela. No entanto, as projeções da Suno Asset indicam um possível início de cortes da Selic em março de 2026, o que poderia impulsionar a renda variável.
Alerta para o investidor
Ao avaliar se o SNAG11 vale a pena, é crucial que o investidor verifique a estabilidade do valor patrimonial por cota (Cota Patrimonial) ao longo dos anos. Uma perda de valor patrimonial sem reposição pode indicar uma perda de qualidade do fundo. A Cota Patrimonial em julho de 2025 era de R$ 10,32. O histórico apresentado mostra que a Cota Patrimonial tem se mantido relativamente estável, variando, por exemplo, de R$ 10,12 em agosto/24 para R$ 10,32 em julho/25.
Dividendos: A geração de renda do SNAG11
A capacidade de gerar renda consistente é um fator chave para muitos investidores ao decidir se o SNAG11 vale a pena.
Histórico de distribuições e Yield
O SNAG11 tem demonstrado consistência na distribuição de rendimentos. Em julho, a distribuição por cota foi de R$ 0,11, um patamar mantido desde janeiro de 2025. O Dividend Yield Anualizado atingiu 14,49%, mostrando-se estável acima de 12% nos últimos 12 meses.
O lucro acumulado por cota foi de R$ 0,084. O fundo registrou um resultado final de R$ 11.780.052,15 em julho, com R$ 6.681.438,83 distribuídos como rendimento.
O desempenho do SNAG11 em relação a indexadores de mercado é notável. Desde o início, o fundo superou significativamente o CDI, IFIX e IPCA+7%:
Performance desde o início (%)
Indexador | Performance |
---|---|
SNAG11 | 43,78% |
CDI | 42,11% |
IFIX | 21,81% |
IPCA | 14,57% |
IPCA + 7% | 39,86% |
Essa performance indica que o fundo tem conseguido entregar retornos competitivos e estáveis para seus cotistas.
Preço atual de mercado: avaliando a oportunidade do SNAG11
A relação entre o preço de mercado e o valor patrimonial é um indicativo importante para determinar se o SNAG11 vale a pena para novos aportes ou para manutenção na carteira.
Cota patrimonial vs. cota de fechamento
Em julho, a Cota Patrimonial do SNAG11 era de R$ 10,32, enquanto a Cota de Fechamento de Mercado foi de R$ 9,64. Esta diferença resulta em um P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial) de 0,93. Um P/VP abaixo de 1 indica que o fundo está sendo negociado na bolsa por um valor inferior ao seu valor patrimonial por cota. Isso pode representar uma oportunidade para investidores que buscam adquirir ativos com desconto em relação ao seu valor intrínseco.
Espaço para o investidor
O preço atual de mercado é um fator dinâmico e crucial para decidir se o SNAG11 vale a pena. Para analisar este quesito, o investidor deve considerar a cotação atual em relação ao seu valor patrimonial (P/VP). A cotação de fechamento de mercado em julho de 2025 foi de R$ 9,64. O valor patrimonial é de R$ 10,32.
Conclusão: SNAG11 vale a pena para qual perfil de investidor?
A avaliação se o SNAG11 vale a pena é uma decisão pessoal que depende dos objetivos, tolerância a risco e horizonte de investimento de cada um. Com base na análise do relatório gerencial, o SNAG11 apresenta características que podem ser atrativas:
- Segurança: A carteira é considerada saudável, com todos os ativos adimplentes e uma inadimplência geral de 0,00%. O fundo possui boa diversificação em termos de tipos de ativos, indexadores, ratings e setores do agronegócio. Além disso, sua exposição limitada a setores altamente impactados pelas novas tarifas dos EUA demonstra resiliência estratégica. A utilização de ferramentas como o AgroScore da Serasa Experian para avaliação de risco de crédito também reforça a gestão prudente.
- Dividendos: O fundo mantém uma distribuição consistente de R$ 0,11 por cota, com um Dividend Yield anualizado de 14,49%. Sua performance histórica acima dos benchmarks indica uma capacidade de gerar retornos sólidos.
- Preço de Mercado: O P/VP de 0,93 sugere que o fundo pode estar sendo negociado com desconto em relação ao seu valor patrimonial.
No entanto, investidores devem continuar monitorando o cenário macroeconômico, as políticas monetárias globais e domésticas, e os desdobramentos das negociações comerciais. A estabilidade da cota patrimonial é um fator a ser observado continuamente.
Em resumo, para investidores que buscam exposição ao agronegócio brasileiro com foco em renda mensal previsível, boa diversificação, gestão de risco ativa e um histórico de performance consistente, o SNAG11 pode apresentar-se como uma opção interessante. A decisão final sobre se o SNAG11 vale a pena deve sempre ser baseada em uma análise individual e alinhada aos seus próprios critérios de investimento.
Aviso Legal: Este artigo tem caráter informativo e não constitui uma recomendação de investimento. A decisão de investir em SNAG11 ou qualquer outro ativo financeiro é de responsabilidade exclusiva do investidor, que deve realizar sua própria pesquisa e, se necessário, consultar um profissional qualificado.
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